Informaçőes Técnicas

27 de março de 2009


A Mulher Que Ri | por Macksen Luiz

CURITIBA - Duas produções paulistas – A mulher que ri e Doido – passaram pelo Festival de Curitiba como demonstrações de tempos cênicos bastante diversos. A mulher que ri, de Paulo Santoro, baseado num conto húngaro, volta-se para o passado, para a região das lembranças, onde se abrigam as palavras que servem para contar sua história. A família pobre cuja mãe propõe continuamente jogos do contente, que se armam para descobrir moedas sob tacos do assoalho para comprar um pão, ou que carregam nas costas as suas vozes e sua infância, reconstrói o que viveu para fabular a memória. Nesta fábula, simples, quase ingênua, o narrador se debruça sobre a meninice como esboço de sentimentos que percorrem a sua escrita adulta.

A montagem do grupo Barracão Cultural procura emoldurar a narrativa, entre o melodrama e a melancolia, com desenho interpretativo expandido e visual minimalista. Os atores – Fernando Alves Pinto, Eloísa Helena e Plínio Soares – abusam de gestos e contrações de movimentos como se o corpo emprestasse as palavras significados para além da sua vocalização. O cubo transparente do cenógrafo André Cortez, tão bem coadjuvado pela luz de Fábio Retti, é a caixa que se decompõe em janelas, através das quais os corpos se fragmentam em pedaços até a imobilidade da fotografia, imagem fixa da memória na parede.

A diretora mineira Yara de Novaes transita no universo evocativo do texto com essas formas contrastadas para alcançar a fluidez do que não pode ser capturado apenas pelas palavras.

* publicado no Jornal do Brasil, 26/03.09

1 Comentário




Deixar um comentário


*

*