A Mulher Que Ri | por Macksen Luiz
CURITIBA - Duas produções paulistas – A mulher que ri e Doido – passaram pelo Festival de Curitiba como demonstrações de tempos cĂŞnicos bastante diversos. A mulher que ri, de Paulo Santoro, baseado num conto hĂşngaro, volta-se para o passado, para a regiĂŁo das lembranças, onde se abrigam as palavras que servem para contar sua histĂłria. A famĂlia pobre cuja mĂŁe propõe continuamente jogos do contente, que se armam para descobrir moedas sob tacos do assoalho para comprar um pĂŁo, ou que carregam nas costas as suas vozes e sua infância, reconstrĂłi o que viveu para fabular a memĂłria. Nesta fábula, simples, quase ingĂŞnua, o narrador se debruça sobre a meninice como esboço de sentimentos que percorrem a sua escrita adulta.
A montagem do grupo BarracĂŁo Cultural procura emoldurar a narrativa, entre o melodrama e a melancolia, com desenho interpretativo expandido e visual minimalista. Os atores – Fernando Alves Pinto, EloĂsa Helena e PlĂnio Soares – abusam de gestos e contrações de movimentos como se o corpo emprestasse as palavras significados para alĂ©m da sua vocalização. O cubo transparente do cenĂłgrafo AndrĂ© Cortez, tĂŁo bem coadjuvado pela luz de Fábio Retti, Ă© a caixa que se decompõe em janelas, atravĂ©s das quais os corpos se fragmentam em pedaços atĂ© a imobilidade da fotografia, imagem fixa da memĂłria na parede.
A diretora mineira Yara de Novaes transita no universo evocativo do texto com essas formas contrastadas para alcançar a fluidez do que não pode ser capturado apenas pelas palavras.
* publicado no Jornal do Brasil, 26/03.09
1 Comentário
1. online | 12 de março de 2010 às 10:05 pm
Aprendi muito
Deixar um comentário